terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Diz-se... ter pago ou ter pagado???

Olá!

O verbo pagar possui dois particípios passados, um regular (pagado) e um irregular (pago). Resta saber quando se deve usar um ou outro. Pois bem, a forma regular usa-se com os verbos ter e haver (ter pagado, haver pagado) e a forma irregular aplica-se com os verbos ser e estar (ser pago; estar pago).

Os verbos apresentar, empregar e encarregar só aceitam as formas apresentado, empregado e encarregado, ainda que existam gramáticas e dicionários que já aceitam as formas encarregue e empregue,uma vez que o seu uso se está a tornar frequente.

Quanto aos outros verbos com dois particípios, reparem na listagem que se segue:

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular
absorver absorvido absorto
aceitar aceitado aceito, aceite
acender acendido aceso
afligir afligido aflito
assentar assentado assente
benzer benzido bento
cativar cativado cativo
cegar cegado cego
completar completado completo
convencer convencido convicto
corrigir corrigido correcto
cultivar cultivado culto
descalçar descalçado descalço
dirigir dirigido directo
dissolver dissolvido dissoluto
distinguir distinguido distinto
eleger elegido eleito
emergir emergido emerso
entregar entregado entregue
envolver envolvido envolto
enxugar enxugado enxuto
escurecer escurecido escuro
expressar expressado expresso
exprimir exprimido expresso
expulsar expulsado expulso
extinguir extinguido extinto
frigir frigido frito
ganhar ganhado ganho
gastar gastado gasto
imergir imergido imerso
imprimir imprimido impresso
incorrer incorrido incurso
inquietar inquietado inquieto
inserir inserido inserto
isentar isentado isento
juntar juntado junto
libertar libertado liberto
limpar limpado limpo
manifestar manifestado manifesto
matar matado morto
morrer morrido morto
nascer nascido nato, nado
ocultar ocultado oculto
omitir omitido omisso
pagar pagado pago
prender prendido preso
romper rompido roto
salvar salvado salvo
secar secado seco
soltar soltado solto
submergir submergido submerso
suspender suspendido suspenso
tingir tingido tinto
vagar vagado vago

21 comentários:

Anónimo disse...

eu só quero saber se esta frase está errada. " eu não deveria ter pagado a condução"


Grata.

Patrícia disse...

A frase está correcta.

Exemplo:
a) Eu já tinha pagado o carro, quando ele o comprou.(usando o verbo ter, como auxiliar).

b) O carro está pago. (usando o verbo estar).

Anónimo disse...

Quero saber nessa "Neymar, o atleta mais bem pago/pagado do Brasil"

Patrícia disse...

Neste caso,
"Neymar, o atleta mais bem pago/pagado do Brasil", a forma correta é:

"Neymar, o atleta mais bem pago do Brasil..."

Anónimo disse...

As formas regulares "ganhado", "gastado", "pagado" devem ser evitadas na língua culta. Diga-se: "ganho", "gasto" e "pago" com qualquer auxiliar.

Anónimo disse...

"Esse é um castigo por você não ter pagado sua promessa."

Manuella Candeias disse...

Não. Olha o motivo aí o verbo auxiliar ter. Ok.

Manuella Candeias disse...

Pago seria o certo...pois o estado ou ação conduzem aos verbos auxiliares ser/estar....e não aos verbos ter/haver q aí entao seriam acompanhados por pagado. ESPERO TER AJUDADO......MANU

Manuella Candeias disse...

Por que?

Cintia Cruz disse...

Assim que tiver pagado a conta. Está correto?

Anónimo disse...

Então a forma correta é:
"Deveria ser correcto a prova" ao invés de "Deveria ser corrigida a prova"?

RSantis disse...

Frase CORRETA; com os verbos TER e HAVER usa-se o particípio REGULAR (...ado, ...ido).

RSantis disse...

Frase CORRETA; com os verbos TER e HAVER usa-se o particípio REGULAR (...ado, ...ido).

Jadir Moraes disse...

Obviamente,devemos concluir que,por uma questao de hermenêutica, o assunto em epígrafe apresenta uma
idiossincrasia,se considerarmos que a nossa língua não apresenta bifurcação como a de certos répteis. Nesse mister,tudo é possível e Vale a pena, como disse o Poeta. Espero ter contribuído.

Jadir Moraes disse...

Obviamente,devemos concluir que,por uma questao de hermenêutica, o assunto em epígrafe apresenta uma
idiossincrasia,se considerarmos que a nossa língua não apresenta bifurcação como a de certos répteis. Nesse mister,tudo é possível e Vale a pena, como disse o Poeta. Espero ter contribuído.

Roni Rios disse...

Correta. Particípio regular com verbo ter e haver

Roni Rios disse...

Certas

Roni Rios disse...

Sim

João disse...

Hoje vi num titulo de um jornal diário cá da Tuga que dizia assim. "Ronaldo enfrenta a justiça Espanhola suspeito de não ter pagado ao fisco" Este pagado estará correcto ou deveria ser utilizado o termo "pago"?
Cumprimentos.

Paulo Gala disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Gala disse...

Os verbos com duplo particípio passado são os verbos que utilizam, na formação dos tempos compostos, a forma regular (em -ado ou -ido), geralmente com os auxiliares ter e haver; e a forma irregular, mais curta, habitualmente utilizada com os auxiliares ser e estar.
A regra é bem conhecida, consta de imensas gramáticas da língua portuguesa, mas o que parece ser nova é a tendência (teimosa) de substituir a forma regular pela forma irregular, independentemente de qual o auxiliar utilizado na formação do tempo composto, chegando a ponto de, já por diversas vezes, eu ser alvo de correcção por alegados sapientes da língua portuguesa, apesar de ter usado correctamente a forma regular com os auxiliares ter e haver.

Já em 2011, podia ler-se o seguinte numa página de Internet sobre a língua portuguesa:

“Sou estudante de Antropologia e já por diversas vezes me interroguei sobre qual será a conduta a assumir quando o costume vai contra as regras gramaticais.
Sabendo da existência de particípios passados duplos, da regra que prevê o uso da sua forma regular na voz activa e o da sua forma irregular na voz passiva (como em "tinha ganhado" ou "tinha sido ganho") o que é que se deve fazer quando o costume que actualmente vinga é o de utilizar, a todo o custo, as formas irregulares? É frequente ouvirmos expressões como: "tinha entregue", "tinha ganho", "tinha morto". Além disso, ao utilizarmos a forma adequada à voz activa, a maioria das pessoas resolve corrigir-nos.
Parece-me haver todo um movimento em direcção à adopção exclusiva da forma irregular nos particípios passados duplos.
Será isto parte da dinâmica de uma língua? Haverá uma tendência normal para as formas irregulares substituírem por completo as regulares?
Agradeço a vossa atenção e peço, desde já, as minhas desculpas por vos colocar uma questão que talvez seja mais de índole filosófica do que gramatical.
André R.M.”

Logo a seguir a respectiva resposta:

“De facto, ouve-se tudo e mais alguma coisa, e quem «corrige» muitas vezes é ignorante e presunçoso. Há talvez a tendência de que fala, e um dia será certo o que agora é considerado errado ou menos bem. Para já é como diz, podendo-se acrescentar que o verbo estar também pede o particípio irregular: está morto, está ganho, está entregue (ao lado de tem matado, tem ganhado, tem entregado).
F. V. Peixoto da Fonseca”

Creio que o que se passa neste caso específico da língua portuguesa é consequência directa dos laxismos pessoal, educacional, profissional e também social. Tudo começa com aqueles que, no uso e no estudo da língua portuguesa, pouco ligam às regras, não querendo gastar tempo a decorá-las, seguindo o velho princípio facilitista de que “o que soa bem é o que está certo”. Nas profissões que lidam directamente com a língua portuguesa, parece já não haver qualquer brio, assistindo-se diariamente a autênticos "pontapés na gramática" perpetrados pelos jornalistas de qualquer jornal televisivo. O laxismo social também contribui para a perpetuação do erro e, quem sabe, até à futura subversão da regra, pois que corrigir os outros parece mal, mas deixar as pessoas continuarem a falar incorrectamente já parece bem. Afinal se parece que toda a gente fala da mesma maneira, quem somos nós para ir contra a tendência, não é?
E assim vai o nosso idioma...